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quarta-feira, 9 de outubro de 2013

Livrai-nos do mal! (I)



Liturgia é vida.
As orações da preparação para a santa comunhão seguem a partir do Pater Noster. Depois do Pater há uma oração muito interessante, que tentaremos exprimi-la considerando que ela seja dita por uma pessoa atormentada e carregada de muitos males.
"PR: Livrai-nos de todos os males, ó Pai, e dai-nos hoje a vossa paz. Ajudados pela vossa misericórdia, sejamos sempre livres do pecado e protegidos de todos os perigos, enquanto, vivendo a esperança, aguardamos a vinda de Cristo salvador."
Essa oração se dirige ao Pai, e sai do mais profundo do nosso ser e muitas vezes é ou pretende ser a expressão daquilo que somos ou do estado em que nos encontramos naquele momento soleníssimo.
Uma pessoa carregada de todos os males pede para que o Pai a livre de todos esses males. Só quem está acabrunhado de muitos males implora perdão e misericórdia. Portanto, a liturgia da Missa tem um primado, e esse primado é a misericórdia de Deus, e visa a reconciliação de Deus com a pessoa, com as pessoas, e das pessoas entre si.
Uma pessoa carregada de males não está em paz, mas em tormentos, em grandes lutas interiores e exteriores, passa por sofrimentos indizíveis, e a Missa implora para que Deus a livre desses sofrimentos.
Implora  para hoje, para já, a paz de Deus quem está sem ela. 
Essa oração mostra a imensa preocupação maternal da Igreja por seus filhos: uma Mãe preocupa-se com os sofrimentos de seus filhos. Talvez seja por isso que o Papa Francisco esteja tão preocupado com os pobres, pois ninguém mais do que os pobres são esmagados pelos males e tormentos desta vida.
Cont.






sexta-feira, 13 de setembro de 2013

QUAL É O ESPÍRITO QUE ANIMA OS MÚSICOS DA LITURGIA?




http://www.alienado.net/fotos/2010/05/Fotos-baterias.jpgDepois que um Jesuíta foi eleito para Sucessor de São Pedro, em Roma, tomando o nome de Papa Francisco, o método Inaciano, que é ensinado nos "Exercícios Espirituais de Santo Inácio de Loyola", volta novamente à memória dos católicos que querem seguir a bandeira de Jesus Cristo, ao invés de seguir a Bandeira do mundo ou do diabo.
Dentre os riquíssimos conselhos que estão neste manual de ascética e mística cristã há um que não pode faltar ao católico que deseja e procura ser fiel com todo o coração a Nosso Senhor Jesus Cristo. Estamos falando do discernimento dos espíritos, que Santo Inácio ensina para um católico aprender a discernir se um espírito é ou não de Deus, se é de Deus ou se é do Diabo.
Devemos examinar os espíritos para saber se são de Deus para os aceitar, ou se são do Diabo para os rejeitar.
Qual o espírito que anima ou inspira os músicos em nossas liturgias dominicais e diárias?
Quem inspira as músicas e os instrumentos deles é o Espírito de Nosso Senhor Jesus Cristo ou é o espírito do mundo e dos Beatles e Roling Stones?!  Em quem eles se inspiram?
Creio que se fosse Jesus que inspirasse esses músicos, eles cantariam músicas sagradas em honra de Deus, e não músicas mundanas em honra dos Beatles e de si próprios. Não, infelizmente não é a Jesus Cristo que vocês (músicos) estimam, pois se fosse Ele vocês cantariam segundo o espírito d'Ele, e não segundo o espírito de Raul Seixas. Não usariam brincos e tatuagens, mas o terço e o crucifixo. 
Há um salmo que diz: " e as suas orações converteram-se em pecado!" Pois bem, dá para dizer que suas músicas são orações???!!! Será que vocês rezam, será que vocês leem, ou vocês só "curtem" músicas mundanas e depois vêem  louvar os Beatles ou Elvis nas Santas Missas?
Na liturgia vocês não fazem um serviço a Deus, mas um desserviço, pois assim como os vândalos picham nossas os muros e as paredes de nossas cidades, vocês picham a divina liturgia com suas irreverências e com o mundanismo de vocês.
A religião que Deus aprecia não é a das lisonjas, e quem dera ao menos isso fizessem. Portanto, não esperem que suas palmas, danças e músicas mundanas garantam um lugar pra vocês nos céus.
Paro o céu vai quem faz a vontade de Deus, não a vontade de Raul Seixas e Cia.. Deus não quer que batam palmas para o Evangelho, não adianta bater palmas. Deus quer gente que viva o Evangelho.
Baterias, guitarras, são instrumentos de roqueiros, não de cristãos! Cadê o bom senso?! Esses instrumentos são proibidos pela Igreja, foram proibidos pelo Beato João Paulo II, se não sabiam, estão sabendo agora.
Quando é que nas Missas será o Espírito Santo a nos inspirar e não o mundanismo vivido e proclamado pelos músicos no templo santo de Deus?
Senhores Sacerdotes, até quando será permitido que nossos jovens sejam enganados por uma minoria de fanáticos dos Beatles e dos Rolings Stones, etc.?
Parece que o refrão daquela antiga música "Queremos Deus, homens ingratos!" se faz mais do que necessária nos dias de hoje.
Sim, queremos Deus, músicos ingratos, e não os roqueiros! Queremos a doutrina católica, e não as aberrações de La Vey!
Queremos o catolicismo, não o mundanismo!
Rezemos, amigos, rezemos, pois só a oração nos fará ver as aberrações que todos os dias cometemos em nossas Igrejas.
Todos os dias trocamos Jesus por Barrabás, trocamos Jesus pelos Beatles e pelos Roling Stones.
Na sua visita ao Brasil o Papa Francisco convidou os jovens á cultura do belo. Isso significa que o Papa nos convida a deixar a feiura do rok pela beleza do catolicismo.
Aprendam o gregoriano, cantem o gregoriano, que é música litúrgica, inspirada pelo espírito de Jesus Cristo, não pelo espírito do mundo. Só assim poderemos dizer com Santo Agostinho: "Quem canta, reza duas vezes!"


terça-feira, 30 de abril de 2013

Marie Julie (1850 - 1941) e a Reforma Litúrgica (I)



  Recebi alguma coisa sobre as ditas revelações à mística e estigmatizada Marie Julie Janhenny (1850 - 1941) que, a meu ver, precisa de alguns esclarecimentos. Na foto podemos ver Marie Julie durante um êxtase. Citarei apenas uma das suas "profecias" que me enviaram, dando um comentário de acordo com o Dogma de Fé na Indefectibilidade da Igreja e na Infalibilidade do Romano Pontífice.
Uma das "profecias" a ela atribuída é mais ou menos como segue:
"Em 27 de novembro de 1902 e 10 de maio de 1904, Nosso Senhor e Nossa Senhora anunciaram a conspiração para inventar a “Missa Nova”:
“E os ADVIRTO. Os discípulos que não são do Meu Evangelho estão trabalhando duro para refazê-lo segundo as suas idéias e sob a influência do inimigo das almas uma MISSA que conterá palavras que são ODIOSAS à minha vista”.
“Quando chegar a hora fatídica quando os meus sacerdotes serão postos à prova, serão (estes textos) os que serão celebrados neste SEGUNDO período… O PRIMEIRO período é o do Meu sacerdócio que existe desde que Eu o fundei. O SEGUNDO é o da perseguição, quando os inimigos da Fé e da Santa Religião, que imporão suas fórmulas, no livro da segunda celebração… Esses espíritos infames são aqueles que Me crucificaram e estão esperando o reinado DO NOVO MESSIAS."
Comentário:
Primeiramente devemos ter em mente que toda interpretação deve estar de acordo com os Dogmas da Fé Católica. Qualquer interpretação que contraste com o Dogma de Fé só tem duas hipóteses: ou é falsa a revelação privada ou é falsa a interpretação.
Mas neste caso me parece que as revelações particulares à Marie Julie apresentam motivos de credibilidade bem consistentes. 
A mensagem acima foi traduzida de sua língua original e me parece que a tradução não é muito bem feita. Então a essa tradução já carece de credibilidade. Mas vamos lá, suponhamos que esteja certa a tradução, que seja realmente isso que a mística e estigmatizada Marie Julie disse e quis dizer. Procuremos então entender o que está escrito, examinando para ver se não há nada nesta mensagem que contradiga a Fé Católica.
Alguns tradicionalistas procuram tirar dessa profecia sua rejeição pela Missa do Papa Paulo VI, mas estaria realmente a Nova Missa sendo criticada nesta profecia?
A esta questão respondemos que não: essa profecia, embora pareça, não ataca a Nova Missa de Paulo VI. Não, não ataca, e para que tenha procedido de Deus essa profecia, necessariamente não pode condenar  e nunca poderá condenar a Missa de paulo VI, sob pena de colocar Deus em contradição.
O tipo de linguagem dessa profecia me parece não o das aparições, como as de Fátima e de Lourdes, onde Nossa Senhora apareceu realmente para as criancinhas. Me parece que este tipo de linguagem é de cogitações, onde a pessoa que se diz ou é mística atreve-se a atribuir a Deus ou a Nossa Senhora o fruto de suas meditações e impressões interiores. As profecias de Marie Julie, se não foram forjadas, se realizaram, mas ela pode ter feito uma descrição pessoal de suas visões ou contemplações místicas, misturando suas impressões pessoais com o conhecimento daquilo que lhe foi mostrado, ou seja, ela pode ter relatado suas visões de acordo com o seu modo de entender e assimilar as coisas.
Isto posto, segue-se que pode ser verdadeira a visão, mas falsa a sua interpretação. Ou seja, é possível que Marie Julie tenha passado suas próprias interpretações juntamente com as visões, o que pode conduzir a erros de interpretação, pois "os nossos pensamentos não são os pensamentos de Deus", como diz a Escritura.
Há erros de tradução no texto, infelizmente não domino a língua para indicá-los, mas é notável. 
Primeiramente ela diz: "Os advirto". Essa advertência será sobre a mudança que futuramente haverá na forma litúrgica da Santa Missa. Ela previu que os inimigos de Cristo trabalhariam duro para refazer o Evangelho e a Missa conforme suas idéias e sob influência do inimigo das almas. Ela disse que essa Missa futura "conterá palavras que são odiosas à Minha vista."
A visão é dividida em dois períodos: o primeiro teria sido o do Sacerdócio de Cristo, o segundo o da perseguição, quando os inimigos da Fé e da Santa Religião imporão as suas fórmulas no livro da segunda celebração.
Lendo atentamente o texto com uma tradução cheia de erros de gramática, de concordância, etc., notar-se-á que nas palavras do chamado segundo periodo há algo que fica claro e permite que essas revelações sejam interpretadas de acordo com o dogma de indefectibilidade da Igreja, etc.
Primeiramente deve-se observar que as profecias dela não condenam, como muitos querem, a Nova Missa promulgada pelo Papa Paulo VI, mas se bem observado condena sim os abusos contra a Nova Missa.
Marie Julie descreveu a dessacralização da Santa Missa, que seria feita por aqueles que a celebram sem nenhuma fé nem piedade. Já em La Salette Nossa Senhora havia reclamado dessa dessacralização da Liturgia, quando advertiu que os sacerdotes seriam castigados "por sua impiedade na celebração dos santos mistérios". No tempo de La Salette a Missa era na forma hoje chamada Extraordinária. Portanto, as palavras odiosas e as novas fórmulas não são nem podem ser as do Rito da Missa. Ora, assim como no tempo de La Salette o Rito impiedosamente celebrado era Santo, também em nosso tempo o Novo Rito impiedosamente modificado e celebrado é igualmente Santo.
É santa a forma tanto extraordinária como ordinária do Rito Romano, mas o culto dessas formas pode não ser santo.
O culto é a maneira como celebramos ou usamos estas formas santíssimas que o Espírito Santo nos oferece através da Igreja, como muito bem ensinou o Papa Bento XVI numa de suas catequeses. Podemos usar as formas santíssimas da Igreja com ou sem fé nem piedade. O nosso culto pode ser com ou sem fé e piedade. A Missa pode ser celebrada com ou sem fé e piedade. Qualquer Rito da Igreja Latina ou Oriental pode ser celebrado (cultuado) com ou sem fé e piedade. A Nova Liturgia da Missa, que na sua Edição Típica Vaticana é isenta de todo e qualquer erro, é vítima de vários abusos que a dessacralizam, abusos esses que o Papa Bento XVI se esforçou por corrigir em seu glorioso pontificado. Somente o que é profundamente sagrado pode ser dessacralizado. Ora, a dessacralização não está na forma, mas na pessoa que celebra, assim como a impiedade lamentada por Nossa Senhora em La Salette não estava na forma, mas na pessoa que atuava sem fé nem piedade. Os inimigos da Fé e da Santa Religião imporão as suas fórmulas "no livro da segunda celebração." Ora, impor "suas" fórmulas é não seguir o que está nos novos livros, não seguir a liturgia, o que está escrito no Novo Missal. Impor as "suas" fórmulas é tirar ou acrescentar algo do Novo Missal.
Um dos abusos litúrgicos atuais, que o Papa Bento XVI se esforço por corrigir, durante seu glorioso pontificado, é que não se seguemais o que está prescrito no Novo Missal. Assim, por exemplo, substituem o ato penitencial, o glória, o santos, etc., que está no Missal, por uma outra música qualquer ao som de instrumentos que não favorecem a concentração e o recolhimento interior. Quando a equipe de liturgia, que deveria ser especialista em liturgia, troca as orações prescritas do Missal por músicas que parodeiam as fórmulas santas, ao som de instrumentos que não são considerados sacros, estão na verdade adulterando a Liturgia e impondo suas próprias fórmulas em cima de um Rito Santo. Por em cima de equivale a pisar em cima de, razão pela qual muitos por não gostarem das fórmulas da Igreja inventam as suas próprias fórmulas. Só que com as formas da Igreja é possivel rezar, ao passo que com as formas da equipe litúrgica só é possível dançar. Rezar não é dançar. Dançar não é rezar.
A fórmula da Igreja, que está no Missal Tridentino, no Missal de Paulo VI, e no Missal da igreja Oriental, é santa, santíssima, mas a fórmula inventada por terceiros e quartos não é santa, é feia, vazia, sem nenhum conteúdo que nos una a Deus, antes nos separa de Deus porque nos enche de vazio. É deste culto sem nenhuma arte, sem piedade, sem fé, que Marie Julie lamentou a dois séculos atrás. Não reclamou da Missa do Papa Paulo VI, mas daqueles que não souberam ou não quiseram usar bem dela, assim como também Nossa Senhora de La Salette, que naquela época não reclamou da Missa Tridentina, mas da forma impiedosa como era celebrada. 
Santas são as fórmulas da Igreja, mas impiedoso pode ser o nosso modo de celebrá-las.
In Iesu.

sexta-feira, 26 de abril de 2013

Das Reverências na Forma Extraordinária da Missa!

A Forma Extraordinária do Rito Romano da Missa é plena de reverências, que ora são dirigidas à Deus, ora ao Sacerdote e à Assembléia. Na foto Dom Athanasius Schneider, Bispo Auxiliar de Karaganda, no Kazaquistão, depois de ter oferecido incenso à Deus e ás coisas santas, de mãos postas é incensado pelo Subdiácono, que depois irá incensar também a Assembléia.
Gestos tão santos como estes possuem uma finalidade, que é a prática litúrgica do Mandamento de Jesus: "Dou-vos um Novo Mandamento, que vos ameis uns aos outros como Eu vos tenho amado!"
A Sagrada Liturgia da Igreja enaltece o Amor Fraterno, a Caridade Cristã, com gestos tão santos como este, plenos da Caridade, do Amor Fraterno. De fato, quem diz que ama a Deus, como escreve São João, o Apóstolo do Amor, deve amar também a seu irmão; pois quem diz amar a Deus que não vê, mas odiar ao irmão que vê, é um mentiroso, conforme escreve o mesmo Apóstolo.
Quando o Sacerdote oferece incenso à Deus outra intenção não deve acompanhá-lo senão o Amor por Deus, e é com a mesma intenção que incensa também as coisas santas. Como todos devem estar, na liturgia da Missa, unidos às intenções do Sacerdote, todos oferecem incenso à Deus quando o Sacerdote está incensando Deus. Mas porque o Amor não deve ser apenas vertical, ou seja, teocêntrico, devendo ser também horizontal, ou seja, antropocêntrico, a Igreja instituiu nas liturgias gestos e cerimônias que devem significar o Amor Fraterno. Na foto vemos que a mesma reverência oferecida a Deus deve ser também oferecida ào homem, ou seja, com o mesmo Amor que amamos a Deus, também devemos nos amar uns aos outros, como Jesus nos ensinou, e esse é o fim último da Missa.
Assim como o coração do sacerdote, ao incensar a Deus e as coisas santas, não deve estar dividido, mas deve ter um coração totalmente voltado para Deus, também o nosso coração não deve estar dividido pela discórdia e pela inimizade quando em união com o Acólito ou com o Subdiácono insensamos o Sacerdote e a Assembléia, mas devemos ter um coração totalmente voltado e devotado à Caridade.
Monsenhor Luiz de Gonzaga, numa de suas homilias, disse não compreender um cristão que tenha inimizades. As cerimônias da Missa que nos levam à uma atitude de reverência para com o nosso próximo outra finalidade não possui a não ser nos consolidar na prática da Caridade.
Pergunto: agradaria a Deus o gesto tão santo que o Subdiácono faz para seu Sacerdote, se não fosse acompanhado de Caridade?! Poderia Deus receber com agrado a reverência dirigida ao Sacerdote se o Subdiácono nutrice qualquer inimizade por ele?! Se o Sacerdote tivesse dado motivos de queixas ao Subdiácono e à Assembléia, não seria o caso todos perdoarem da mesma forma que Deus perdoa e manda perdoar?! Como ninguém é santo, ou seja, como todos nós somos indignos e também pecadores, não estaria a liturgia da Missa, por gestos de reverência como estes, nos levando ao mútuo perdão fraterno?! Por Amor e com Amor incensamos Deus na Missa; igualmente com Amor e por Amor incensamos os outros na Missa! A Missa nos ensina com gestos tão santos a amar Deus e o próximo.
Portanto, quando estivermos na Missa, participando de ritos tão santos como este, não percamos a oportunidade de perdoar e de amar com todo o nosso coração ao nosso próximo.